Intercâmbio

Intercâmbio: a melhor experiência da vida!

Minha experiência de intercâmbio

Tudo começou de repente. Uma noite, antes de dormir, uma dúvida veio à cabeça: “O que fazer ano que vem quando a faculdade terminar?” Intercâmbio! Na mesma semana, outra dúvida: Canadá ou Austrália? A escolha não foi difícil. Optei pelo país mais parecido com o Brasil, com praias paradisíacas, clima tropical e pessoas festeiras e amigáveis.

Foi um ano de muita preparação e gastos, até que chegou o grande dia; as lágrimas se misturaram aos mais diferentes sentimentos. Hora de se despedir. Depois de 27 horas de voo, uma nova língua, uma nova casa, uma nova família e muitas, muitas coisas diferentes.

O objetivo de morar seis meses na Austrália era aprimorar o meu inglês. Prova disso foram as minhas malas: duas, com apenas 12 quilos cada. Poucas roupas de balada, quase nenhuma maquiagem e nada de salto alto. No primeiro mês minha “ideia” de intercâmbio ainda era real – aula das 8h30 às 13h, tardes de caminhada para conhecer os principais pontos turísticos de Brisbane e nenhum amigo brasileiro.

Até que eu resolvi conhecer o lado “party everyday” de morar do outro lado do mundo. A noite sempre começava na casa de alguém, para o tradicional esquenta; e de lá, íamos para algum pub. O $$ e o horário são duas coisas que surpreendem qualquer brasileiro. Na Austrália, a balada não começa às 23 horas ou meia noite; começa-se cedo e termina-se cedo. E o melhor, na maioria delas a entrada é gratuita. As poucas que cobram, fazem isso depois das 22 horas.

Três meses depois do meu desembarque eu entrei num avião de novo; dessa vez o destino era Melbourne e o objetivo era ver neve pela primeira vez. Indescritível. Começamos a subir a montanha e aos poucos o verde dava lugar ao branco. O segundo passo era esquiar. Foram alguns minutos de aula até que, sem modéstia, achei que já era a hora. E foi cheia de autoconfiança que, ao descer a montanha, eu capotei, e ganhei de presente alguns meses sem dobrar o joelho e uma muleta.

Meu segundo destino turístico foi bem menos desastroso. Ainda mancando voei para a famosa Sydney. O que vi foi uma cidade grande e moderna, mas ao mesmo tempo, que oferece tranquilidade e beleza através de suas belas águas azuis. Na segunda vez que voltei à cidade – dois meses depois -, eu estava acompanhada por dois nativos, que me mostraram outra Sydney, muito além do que os turistas podem ver, e eu adorei!

O verão chegou e a Austrália exibiu o que ela tem de melhor: sol, praias paradisíacas e uma natureza encantadora. Gold Coast, Noosa, Sunshine Coast, Byron Bay, Moreton Bay Island, Frazen Island e as belíssimas barreiras de coral (Great Barrier Reef) não podem ficar de fora da lista de quem planeja visitar a Austrália. Areias macias, perfeitas para uma caminhada; águas cristalinas que lhes convidam a mergulhar e vivenciar uma experiência única; além das várias opções de passeios e esportes radicais.

Reviver o ápice da vida de badaladeira e visitar os lugares que antes faziam parte apenas dos meus sonhos valeram muito a pena. Foi muito melhor do que eu estava esperando. Mas aquele país sem palavras reservava ainda mais para mim. Ele me deu uma nova família; ganhei uma mãe, um pai, uma irmã mais velha e dois sobrinhos, além de tios, tias, primos e cachorros. E com eles, muitas coisas que, no começo, eram, no mínimo, estranhas. Papel higiênico joga-se na privada e NUNCA no lixo; na hora do almoço, um lanchinho e chá com leite, no jantar, muita carne e batata, raramente com arroz; passar roupa para quê? Isso sem falar no trânsito: “ops, para qual lado eu olho mesmo?”

Como tudo que é bom um dia acaba, chegou o dia de mais uma despedida. Dessa vez não só da minha família, mas da melhor parte da minha vida. Na volta para casa ainda parei por alguns dias na Nova Zelândia e no Chile, até que me reencontrei com os braços dos meus pais depois de exatos nove meses.

Por Camila Bertolazzi

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